terça-feira, 27 de novembro de 2012

Quero escrever todas as histórias do mundo.

Todos os beijos lentos dados; os lábios vermelhos e aberto esperando o encontro; os dedos juntos como se segurassem as próprias esperanças, os olhos sorrindo para quem quisesse ver; ou as lágrimas que são pegaram com os dedos mindinhos e passadas em outras bochechas, pra dizer que foram pelas mesmas que as gotas passaram primeiro.
Todas as injustiças, os braços cansados da luta, os rostos sangrando, os queixos quebrados, as verdades gritadas por qualquer garganta que se considere indigna, as palavras que ninguém mais diz, as coisas que todo mundo observa e ninguém vê. 
Anseio escrever sobre o que talvez venha a ver ou viver, sobre o balançar do pé direito enquanto eu penso e sobre como fui virando algo que não sei o que é. Mas sou. Sobre as faltas de sorte que vi no dia ou sobre como tudo pesa quando a gente acostuma a carregar o leve. Ou como a cidade anda morta. Ou até, sobre sonhos ou simplesmente sonhar com o que eu não conheço.
Escrever.
E perceber que a cada ponto final uma história termina, e outras começam. Ao mesmo tempo.  Depois de cada ponto, perceber que o espaço que fica é uma respiração. Um novo fôlego. É segurar um pouco. E depois, continuar.
As histórias nunca param.

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