domingo, 4 de dezembro de 2011

Aos olhos azuis sem nome

   Imaginei nosso beijo ao menos três vezes e ainda não posso dizer que estou nas tuas mãos. Eu não deixei você me pegar pelos dedos e me fazer de violão. Você veio rápido enquanto eu estava indo com destino certo, mas eu te juro que se você passar de novo pelos meus olhos que não lembram o mar, eu te dou a minha perna para enroscar na tua, eu te pego de leve pelo cabelo e te beijo fraquinho na bochecha e depois no queixo... Mas um ponto final é a boca e outros dois pontos eu deixo no lóbulo da tua orelha pra eles te dizerem que baixinho que eu te desejo.

   Chega logo... Me puxa para falar sobre o dia e me faz recostar meu braço no teu para andar. Pergunta o que houve com minha perna e diz que eu não tenho mesmo jeito. Combina de sustentar a gente até que meu beijo te enjoe. Me lança na tua mesa, como uma cigana faz com as cartas do tarô que ela já conhece tão bem. Me lembra como é mergulhar tão fundo e não afogar... Me diz como faz pra chegar perto sem cortar. Me embala no teu ritmo. Me perdoa por não saber como te chamar. Me desculpa por não saber o que fazer com isso, mas eu não sei navegar. 

   E você me lembra o mar.


(Eloísa Gonçalves)

Um comentário:

Duda Gouveia disse...

Como não tem nenhum comentário decidi fazer um! Lindo demais o texto, to pensando em fazer um blogger e tudo =B
BJs coisa chata!