domingo, 13 de novembro de 2011

Conjugo

Salgo a página com o que borda (e transborda) na alma; tracejo o caminho que percorrerei como um retirante; repico o movimento em três partes: início, fim e meio. O fim sempre vem primeiro do que o meio; Refaço o inventário de mim e ninguém vê, ou talvez eu tenha aprendido desperceber; Viajo como quem só obedece à terceira lei de Newton: ação e reação, sem precisar de motivações. É propriedade inata, inerente; Deito sobre o mais fino manto, porque ainda quero toca o chão ou as mais claras nuvens que me fazem deitar no azul; Pouso como uma libélula: quase imperceptível, mas existente e sagaz. Reparto como um Ilusionista... Sem pressa, sem truques: é apenas um jogo de mentes. Como dança a ausência no meu quarto, reparo no opaco do vidro em minha frente: me impede de ver o lado de fora. 
E assim, como nada, eu vivo o meu absoluto.

(Eloísa Gonçalves)

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