terça-feira, 15 de novembro de 2011

Rosa. Ar só.

Ontem foi dia treze, amor. E por azar meu, não caiu numa sexta-feira.
 Acho que estou ficando totalmente fissurada por números impares. Enxergo qualquer coisa que não se encaixe perfeitamente em lugar nenhum, melhor do que qualquer outra. As coisas são sempre assim, não é, amor? A gente só enxerga algo quando passa a ter um pouco dele em nossa volta.
Principalmente para mim. Essa menina que não sabe andar direito no chão, que não sabe voar.  Essa menina que é lagarta. Que rasteja até aprender a virar borboleta. E nunca aprende.
Devo dizer que me deram uma rosa no dia treze, amor. Não um buquê... Uma rosa. Vermelha, única, solitária e bela. Se você a visse, já sei mais ou menos como seria nossa conversa:
– Ela é você, baby.
– Não vem com essa, amor.
– É sério... Me escuta, você acha que ela tá sozinha, não acha?
– Ela tá, amor.
– Só parece, baby.
– As pétalas fazem parte dela, amor. Não conta como companhia.
– Elas estão juntas, baby. São companhia.
– Sempre me contrariando.
– Sempre.
Eu destruí a rosa, amor, porque ela sempre me lembra essa nossa discussão que não aconteceu e toda essa nossa complexidade em ser. Mas as pétalas ainda estão na mesa que eu deixo no meu quarto. São a cinza de todo o incêndio que a gente foi. E você sabe que incêndios são tragédias.
E tragédias sempre resultam em nós.
Você é minha pétala, amor, mas eu não sou tua rosa.

(Eloísa Gonçalves)

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